Ainda há um mal que vi debaixo do sol, como o erro que procede do
governador. Ao tolo, assentam-no em grandes alturas. Eclesiastes 10:5 e 6.
Nos dias do rei Josias, viam-se imagens estranhas à
frente do templo de Deus.
Coroando
a eminência do Monte das Oliveiras, despontando acima dos bosques de murtas e
de oliveiras, havia gigantescos e indecoros ídolos. Josias deu ordens para que
eles fossem destruídos. Foi o que se fez, e os seus fragmentos rolaram pelo canal
do Cedrom. Daqueles ídolos sobrou um monte de ruínas.
Porém, sendo um adorador muito
devoto, fez a pergunta: Como apareceu essa arquitetura no lado fronteiriço ao
campo de Josafá, confrontando assim impiamente o templo de Deus? Tem de ser
dada a resposta verdadeira: O construtor foi Salomão, o maior rei que já empunhou
um cetro. Esses ídolos testificavam de que aquele que tinha sido honrado e
aplaudido como o mais sábio de entre os reis se tinha tornado numa ruína
humilhante. …
O seu caráter, outrora nobre, ousado
e verdadeiro na defesa de Deus e da justiça, corrompera-se. A satisfação dissoluta
de condescendências egoístas tornou-o num instrumento das estratégias de
Satanás. A consciência tornou-se-lhe cauterizada. A sua conduta, como juiz, mudou
da equidade e da justiça para a tirania e para a opressão. … Salomão procurou
unir a luz com as trevas. Cristo com Belial, a pureza com a impureza. Mas, em
vez de Gentios se converterem à verdade, os sentimentos pagãos incorporaram-se
com a religião. Ele tornou-se apóstata.
Os sinais da apostasia de Salomão
permaneceram durante séculos depois dele. Nos dias de Cristo, os adoradores no
templo podiam olhar, exatamente em frente, para o Monte da Transgressão, e
lembrar que o construtor do seu rico e glorioso templo, o mais famoso de todos
os reis, se tinha separado de Deus e erguido altares a ídolos pagãos; que o
mais poderoso governante da Terra tinha deixado de governar o seu próprio
espírito. Salomão desceu à morte como um homem arrependido; mas o seu
arrependimento e as suas lágrimas não puderam apagar daquele Monte os sinais do
seu miserável afastamento de Deus. Paredes arruinadas e colunas quebradas deram
silencioso testemunho, por mil anos, da apostasia do maior rei que já se sentou
num trono terrestre.
